AnálisesSwitch 2

Minishoot’ Adventures – Nintendo Switch 2 Edition – Análise

Quando pensamos em “shoot’em ups” de dois manípulos (vulgo, “twin-stick shooter”) os nomes mais influentes que nos vêm à cabeça na era moderna são jogos como The Binding of Isaac, Geometry Wars, Hotline Miami… e The Legend of Zelda? À partida parece estranho: como pode um sub-género cujas mecânicas assentam em mover um veículo ou personagem com um manípulo e disparar com o outro ter influências da série Zelda? Na verdade, Minishoot’ Adventures já respondeu quando se estreou no PC em abril de 2024. Esta obra da pequena produtora francesa Soulside Studio e que chega agora à Nintendo Switch e Switch 2 pela mão da Seaven Studio (igualmente gauleses e dedicados a jogos indie) pega nas mecânicas de um “shoot’em up” de dois manípulos e casa-as com o desenho de níveis e estética de um Zelda simples a 2D. E funciona muito bem.

Em Minishoot’ Adventures controlamos um pequeno veículo espacial que faz o que se espera de um “shoot’em up” de dois manípulos. Move-se em todas as direções (em 2D), dispara contra inimigos cada vez mais fortes, recebe melhorias para as suas capacidades, ganha poderes novos, etc. Não decorre no espaço sideral nem num cenário de combate aéreo, mas sim em cenários que encaixam num jogo de aventuras em 2D e a baixa altitude. O enredo mínimo (como se quer nestas coisas) dá o mote para iniciarmos a exploração – a nossa nave vive num mundo simples com outras naves semelhantes, o mundo foi corrompido por uma força maligna e vamos ter de acabar com ela. E lá vamos percorrer campos, desertos, bosques, lagos e rios (quando recebermos essa capacidade) e entrar em cavernas e templos, em tudo semelhante a um Zelda em 2D. Usamos o analógico esquerdo para movimentar o veículo e o direito para disparar. Os inimigos vão do mais fraco aos “bosses”, alguns são estacionários, outros são móveis, outros movem-se com muita velocidade… e há até inimigos que se escondem na água e sob as areias do deserto e põem a cabeça de fora a intervalos regulares para disparar contra nós. E para durarmos mais tempo, também apanhamos quatro peças de coração para ganhar mais um ponto de vida, tal como acontece em Zelda. Para resumir: a ação é a que se encontra num “shoot’em up” de dois manípulos, enquanto a exploração é inspirada em Zelda.

Exploração essa que é relativamente livre, com alguns limites. Há locais a que só podemos aceder depois de resolver um “puzzle” ou depois de destruirmos os obstáculos com uma arma mais poderosa – começamos com um disparo simples que desenvolvemos ao longo do jogo. À medida que desenvolvemos as nossas capacidades vamos regressar a pontos anteriores e abrir caminhos novos, o que traz mais uma dimensão ao jogo: Minishoot’ Adventures também é um “metroidvania”. Temos então uma bela salada de influências, entre “shoot’em up” 2D, jogo de aventuras e “metroidvania”, e ainda nem abordámos as masmorras. Sim, Minishoot’ Adventures tem cinco masmorras onde se encontram desafios com inimigos mais e mais poderosos e caminhos que temos de desbloquear seja a ativar manípulos ou a acender tochas. E “bosses”, que exigem concentração e paciência. É nestes instantes que notamos também a influência dos “bullet hell”, já que os “bosses” regularmente disparam vagas enormes de balas com padrões que temos de identificar e acompanhar para os podermos vencer.

Felizmente tudo funciona bastante bem. Os controlos são simples e fluidos, e nunca temos a sensação que não respondem bem ou que temos demasiadas coisas a fazer ao mesmo tempo. Ainda bem que assim é, porque a dificuldade não dá tréguas nos momentos mais avançados. É comum termos de fazer face a vagas sucessivas de inimigos e termos o ecrã cheio de balas que voam em todas as direções. Noutros temos projéteis inimigos enormes e que se movem a alta velocidade, e temos de reagir imediatamente para não sermos apanhados. Vamos ter também de apanhar chaves para avançar, bem como uma chave própria para a câmara do “boss”. As recompensas permitem-nos comprar expansões para os nossos poderes e capacidades novas, além de alguns artefactos que encontramos pelo caminho e que nos conferem habilidades muito necessárias, onde se inclui usar a aceleração da nave para atravessar balas inimigas.

O jogo apresenta três níveis de dificuldade que podem ser selecionados a qualquer altura, e se o nível normal e o mais difícil já são desafios consideráveis, o nível mais fácil está longe de ser um passeio embora reduza a intensidade dos combates. Para os recém-chegados, é também possível deixar o jogo disparar por nós enquando nos concentramos na exploração e descoberta, algo que se recomenda apenas a quem nunca pegou num jogo semelhante. Se Minishoot’ Adventures não é demasiado grande, seria bem-vindo ter uma opção para nos deslocarmos imediatamente entre dois pontos à medida que avançamos – a única possibilidade é de regressarmos ao ponto de início, onde podemos comprar melhorias e descobrir novos pontos no mapa exterior. As masmorras também não são demasiado extensas mas por vezes é possível não saber onde nos encontramos devido à falta de um mapa, pelo que a adição pelo menos de um radar ou algo semelhante seria bem-vinda.

Do ponto de vista da apresentação, o ambiente é simples mas colorido e encaixa perfeitamente no que o jogo pretende. Cores vivas, melodias simples mas surpreendentes aqui e ali e com mudanças notáveis conforme o contexto, e efeitos sonoros que sobressaem no momento certo. Os inimigos apresentam modelos que vão do mais comum (pequenas naves espaciais que disparam contra nós) a outros mais invulgares, como arbustos corrompidos e versões gigantes dos inimigos mais pequenos. Os “bosses” são enormes, com a exceção do “boss” final, que enfrentamos depois do que parece realmente ser o “boss” final, e nem um nem outro são fáceis. A interface foi construída à volta do essencial, temos alguns elementos a que devemos prestar atenção mas nada que nos roube a concentração. Se é possível terminar o jogo em cerca de 8 horas, é inevitável acabarmos por gastar mais tempo na exploração e a descorbrir mais espaços. Uma vez vencido o “boss” final, o jogo ainda nos permite entrar em mais um local, onde podemos realizar desafios de resistência contra vagas de inimigos, e foi num destes momentos que Minishoot’ Adventures apresentou o único problema técnico durante esta análise e bloqueou, o que obrigou a reiniciar o jogo (felizmente sem mais consequências).

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Minishoot' Adventures junta a ação frenética de um "shoot'em up" de dois manípulos com a exploração de um Zelda simples em 2D, e fá-lo com toda a naturalidade do mundo. A experiência é dinâmica e convidativa, os combates vão do mais simples ao mais frenético, e é sempre um gosto descobrir espaços novos, encontrar mais objetos e ver o que ainda falta por descobrir, e ainda oferece mais desafios depois de terminado. Um bom exemplo do que se pode fazer com influências vindas de várias direções.
Minishoot' Adventures junta a ação frenética de um "shoot'em up" de dois manípulos com a exploração de um Zelda simples em 2D, e fá-lo com toda a naturalidade do mundo. A experiência é dinâmica e convidativa, os combates vão do mais simples ao mais frenético, e é sempre um gosto descobrir espaços novos, encontrar mais objetos e ver o que ainda falta por descobrir, e ainda oferece mais desafios depois de terminado. Um bom exemplo do que se pode fazer com influências vindas de várias direções.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Muito boa mescla de influências
  • Combates frenéticos e divertidos
  • Ambiente simples mas muito competente

Pontos negativos

  • Problema técnico por resolver

João Dias

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

Subscrever
Notificar de
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado
Ver todos os comentários