Shadow Tactics: Blades of the Shogun – Análise
Combinar estratégia em tempo real com ação furtiva é uma coisa bastante ambiciosa. Felizmente Shadow Tactics: Blades of the Shogun faz isso muito bem, agora que se estreou na Nintendo Switch 2 quase dez anos depois de ter chegado ao mercado. Esta obra do (entretanto encerrado) estúdio alemão Mimimi Games e que chega até nós pela Daedalic Entertainment propõe uma série de missões onde com uma pequena equipa vamos realizar ações furtivas como assassinatos seletivos, espionagem ou roubos de objetos importantes, com um enredo passado no período Edo da história japonesa (1615-1868) onde um senhor da guerra lidera uma sublevação contra o xogunato vigente. Se no início tentamos prestar bastante atenção ao enredo, não demora muito até este se tornar um pano de fundo – relevante para a ação e para encaixar os membros da equipa, mas longe de nos monopolizar a atenção. Essa honra vai para a jogabilidade, que absorve a nossa concentração e desliga-nos os sentidos para o resto do mundo enquanto não terminarmos a missão.

São treze missões no total, que incluem objetivos como intercetar um transporte de armas para a sublevação, assassinar um “daimyo” que aprisionou um dos nossos, ou libertar membros da equipa quando estes se encontram presos. A experiência começa com duas personagens, um ninja de nome Hayato e um samurai de nome Mugen, mas rapidamente a equipa vai incluir um velho atirador de nome Takuma, uma jovem ladra de nome Yuki, e uma espia de nome Aiko. Cada um tem as suas especialidades e pontos fracos, e nem todos estão disponíveis em cada missão. Hayato e Yuki são ágeis e indicados para ações sorrateiras como obter documentos e chaves e trepar aos telhados, Mugen é exímio nas artes da espada e pode eliminar vários inimigos de uma vez (e transportar dois corpos em simultâneo). Aiko pode disfarçar-se para passar despercebida entre guardas e distraí-los, e Takuma pode usar a sua espingarda para eliminar inimigos à distância e criar uma diversão com o seu “tanuki” de estimação.
Cada membro da equipa realiza assim ações derivadas das suas características. Se Yuki tem menos força física, ela pode assobiar para atrair um guarda a outro local, onde ela ou outro membro da equipa o podem eliminar. As missões encontram-se muito bem desenhadas, com uma série de pontos que tanto funcionam a nosso favor como contra nós. Os inimigos – sejam guardas, samurais ou civis – têm todos um campo de visão próprio que o jogador pode visualizar (um de cada vez). Temos de prestar muita atenção a este elemento: se entrarmos no campo de visão de um inimigo, temos muito pouco tempo até este dar o alarme, e se isso acontece as nossas hipóteses caem abruptamente. Temos de observar o terreno, aprender os padrões de movimento dos inimigos, e avançar com cuidado. Quando se encontram vários inimigos no mesmo sítio (como é habitual) os seus campos de visão sobrepõem-se, o que torna a ação mais complicada.

É aqui que a dissimulação e as habilidades entram em jogo, e o chamado “Shadow Move” do título mostra o que vale: podemos preparar uma ação conjunta onde um membro da equipa vai eliminar um guarda, por exemplo, e quando damos o sinal para avançar usamos outro membro da equipa para eliminar o outro guarda. Vamos usar esta tática da sombra muitas vezes, já que muitas situações são bem mais complicadas se não a usarmos. Tudo tem de ser feito de forma furtiva e rápida. Ao eliminar inimigos é aconselhável esconder os seus corpos para que não sejam vistos por outros inimigos nas proximidades. Embora o jogo nos dê alguma margem de erro para situações onde somos vistos, esta é muito curta – mesmo no nível de dificuldade mais baixo – e é preciso não perder a calma para sair de um sarilho sem deitar a missão a perder. Claro que também é possível virar estas situações a nosso favor: as pegadas na neve podem denunciar a nossa presença ao inimigo, mas também as podemos deixar deliberadamente para atrair um guarda a uma emboscada.
Tudo isto implica, obviamente, uma dinâmica de tentativa e erro. Temos de entrar num templo, mas há seis ou sete guardas pelo caminho? Eliminamos os dois primeiros sem problema, mas uns passos mais à frente somos vistos pelo terceiro guarda cujo movimento não antecipámos. Voltamos ao ponto anterior. Felizmente podemos salvaguardar a qualquer momento com o botão ‘Select’. Vamos recorrer a isto muitas, mesmo muitas vezes, e no final da missão vamos saber quantas foram. Vai ser precisa bastante prática e muitas abordagens para encontrar a melhor forma de cumprir cada objetivo. Ao terminar uma missão vamos também saber se obtivemos alguma dinstinção – estas incluem terminar a missão sem alertar ninguém, evitar entrar na água, cumprir todos os objetivos em menos de quinze minutos, etc. Não são obrigatórios, mas é sempre satisfatório ver se cumprimos alguns destes requisitos muito exigentes.

Shadow Tactics não tem uma abordagem única, e isso é muito favorável, o jogo deixa-nos iniciativa suficiente para abordarmos as missões como preferirmos. E como se desenrola tudo isto? Felizmente tudo decorre muito bem. A ação é fluida e sem tropeções ou bloqueios, o que é muito bem-vindo num jogo como este, embora corra a 30 fotogramas por segundo. Na Switch 2 é possível usar os Joy-Con como se fossem ratos de computador, o que à partida é muito bem-vindo pelos mais habituados a estas experiências no PC. Quem estiver mais habituado às consolas vai achar os controlos convencionais mais simples. Os comandos de ação são acessíveis, e entramos rapidamente na dinâmica depois de um período de habituação curto, felizmente o jogo não nos sobrecarrega com demasiadas instruções. Um ponto menos favorável e que requer atenção é o movimento da câmara. Vamos ter de focar e desfocar e fazer a rotação da câmara com o analógico direito para observar todos os pontos possíveis, descobrir se nos escapou algum inimigo e ver o seu campo de visão. Se nos desleixarmos um pouco, a coisa pode correr mal. Outro ponto menos conseguido diz respeito a momentos onde temos duas ações com o mesmo botão – por exemplo, pegar num corpo inimigo ou trepar a um telhado, ambos usam o botão ‘A’, e pode acontecer fazer um quando queremos fazer o outro. Se formos apanhados, a coisa corre mal.
Finalmente do ponto de vista artístico, estamos perante uma obra muito bonita de se ver, mesmo tendo em conta que já tem quase dez anos. Os cenários são trabalhados e coloridos, e dão-nos muito para abordar em matéria de esconderijos e caminhos a seguir, bem como as melodias que fazem um belo trabalho para criar ambiente. Já as personagens são pequenas, e em algumas situações é fácil distrairmo-nos e não percebermos que inimigo estamos a abordar, o que nos obriga a andar sempre com a atenção redobrada já que os inimigos mais fortes são imunes a alguns ataques. A expansão Aiko’s Choice (lançada originalmente em 2021) chega à Switch 2 no mesmo dia, e consiste em mais seis missões relacionadas com uma figura do passado de Aiko, embora os cinco membros da equipa marquem presença. Aiko’s Choice pode ser adquirida de forma separada – ou em conjunto por um preço total mais baixo do que em separado – e não exige o Shadow Tactics original, embora as suas missões sejam bastante exigentes e mais acessíveis a quem conheça as mecânicas e dinâmicas de Blades of the Shogun.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Experiência muito cativante
- Dinâmica entre personagens funciona muito bem
- Cenários bonitos e trabalhados
- Flexível nas opções e abordagem aos objetivos
Pontos negativos
- Por vezes esquecemo-nos de dar atenção à câmara

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

