Planet of Lana II: Nintendo Switch 2 Edition – Análise
Quando Planet of Lana estreou na Nintendo Switch em abril de 2024 foi elogiado por trazer uma combinação de “puzzles” ambientais, enredo minimalista e uma direção artística que parecia saída de um filme de animação. Sem recorrer a diálogos longos ou sistemas complexos, conseguiu construir uma aventura contemplativa onde o silêncio, a música e a estética visual tinham tanto peso quanto a própria jogabilidade. A sequela Planet of Lana II parte dessa mesma base mas tenta ir um pouco mais longe. Em vez de reinventar completamente a fórmula, aposta numa evolução natural das ideias do original, expandindo o mundo, introduzindo novas mecânicas e aprofundando a relação entre Lana e o pequeno companheiro Mui. O resultado é uma experiência que continua a privilegiar a exploração, a resolução de “puzzles” e o ambiente visual, agora com uma ambição maior e uma apresentação ainda mais cuidada.

O enredo coloca-nos algum tempo após os acontecimentos do primeiro jogo. Lana e o seu pequeno companheiro Mui continuam a explorar um planeta marcado por ruínas tecnológicas e paisagens naturais que escondem sinais de um passado mais complexo do que aparenta. Tal como no original, o enredo não depende de diálogos longos ou exposições diretas, e grande parte da história é narrada através do ambiente, da música e das pequenas interações entre as personagens. O resultado é um ritmo deliberadamente calmo, quase contemplativo, que tanto valoriza o silêncio e o espaço entre eventos quanto os momentos de tensão.

A jogabilidade continua centrada em “puzzles” ambientais e na cooperação entre Lana e Mui. O jogador controla Lana enquanto utiliza Mui para alcançar espaços inacessíveis, ativar mecanismos ou distrair inimigos. Esta dinâmica continua a ser o núcleo da experiência, mas agora apresenta mais variações. Existem novas habilidades, diferentes tipos de criaturas e desafios que exigem maior coordenação entre Lana e Mui. Em alguns momentos os “puzzles” exploram o ambiente de forma mais complexa, obrigando a combinar elementos de física, plataformas e furtividade. Ainda assim, Planet of Lana II nunca tenta transformar-se num jogo demasiado exigente. A dificuldade mantém-se relativamente acessível e a maior parte dos desafios privilegia a observação e a experimentação em vez de reflexos rápidos. Isso torna o jogo muito convidativo para jogadores que procuram uma experiência mais descontraída. Em alguns momentos pode até parecer demasiado simples para quem prefere “puzzles” complexos, mas essa escolha faz parte da identidade da série.

O desenho dos níveis também mostra alguma evolução. Os cenários são mais variados e incluem ambientes que vão desde florestas densas a regiões industriais abandonadas. Cada espaço apresenta pequenas variações nas mecânicas e introduz novos obstáculos, o que ajuda a manter o ritmo da aventura. Dependendo do ritmo de exploração, o jogo apresenta uma experiência que vai das seis às oito horas, sendo relativamente compacta mas bem estruturada. Visualmente, continua a apostar numa direção artística muito distinta. O estilo lembra uma pintura animada, com cores suaves e paisagens amplas que reforçam a sensação de exploração. Em muitos momentos o jogo quase parece uma curta-metragem interativa, com enquadramentos cuidadosamente compostos e animações muito expressivas. A banda sonora acompanha bem este tom, alternando entre momentos mais minimalistas e composições que reforçam o lado emotivo do enredo.
O desempenho na Nintendo Switch 2 é bastante competente. O jogo corre de forma estável a 60 fotogramas por segundo na maior parte do tempo, no ecrã da consola e num ecrã de televisão, e beneficia de uma resolução mais alta do que na geração anterior. As cores e pormenores ganham outra nitidez, sobretudo em ecrãs maiores, o que torna o estilo visual ainda mais vistoso. Os tempos de carregamento são bastante curtos e permitem que a progressão seja quase imediata.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Direção artística de qualidade
- "Puzzles" bem integrados no enredo
- Ambiente envolvente e ritmo contemplativo
Pontos negativos
- Dificuldade relativamente baixa
- Pouca evolução estrutural face ao primeiro jogo

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

