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Street Racer Collection – Análise

O nome Street Racer Collection não deixa margem para dúvidas, trata-se obviamente de uma coleção de jogos da série Street Racer, com a particularidade de ser uma compilação de quatro versões distintas do mesmo jogo. Street Racer é uma produção da defunta Vivid Image que foi na altura publicada pela Ubisoft (quando ainda se escrevia Ubi Soft), e é um jogo de corridas visivelmente influenciado por Super Mario Kart mas com uma identidade própria. Se algumas das mecânicas são idênticas às do jogo da Nintendo, Street Racer também apresenta características originais distintas, e bem-vindas.

A compilação Street Racer Collection chega até nós pela mão da brasileira QUByte Entertainment, e consiste nas versões de Street Racer para SNES (o jogo original de 1994), Mega Drive (1995), Game Boy (1996) e MS-DOS (1997). Em comum, todos têm mecânicas de jogabilidade semelhantes e as competições da praxe, onde se inclui um campeonato por pontos, uma competição para até quatro jogadores (ausente na versão Game Boy), uma modalidade conhecida como Rumble e com semelhanças ao modo Batalha de Super Mario Kart, e ainda uma variante baseada em futebol, bem como a possibilidade de praticarmos nas pistas sem as regras de uma competição e de corrermos contra adversários à nossa escolha. No que diz respeito à qualidade da conversão, cada jogo é apresentado na Nintendo Switch de forma idêntica aos originais, com apenas algumas opções no que diz respeito à exibição visual. Este trabalho de emulação bem realizado significa assim que os fãs dos jogos originais vão aqui ter uma experiência muito semelhante à proporcionada há três décadas. E é também aqui que nos deparamos com o lado menos bom de Street Racer Collection. Se é louvável transportar para a nossa era jogos que foram populares no seu tempo, é também ao jogar cada um destes títulos que nos apercebemos da diferença entre a nostalgia e os avanços na tecnologia e jogabilidade. Os quatro jogos aqui presentes não são idênticos, mas nota-se rapidamente que não envelheceram muito bem, ainda que em graus diferentes. Talvez porque entre os jogos de corridas de karts exista algo próximo de um unanimismo em torno da série Mario Kart, mas ao jogar as versões de Street Racer nesta compilação não demora muito tempo até a experiência se tornar algo pesada e pouco divertida.

A nível da jogabilidade, todos os jogos seguem o mantra de uma corrida de karts com ação. Cada personagem – figuras distintas e cómicas, e com um carro próprio, o que faz recordar a série de animação Wacky Races – tem ao seu dispor um movimento de ataque característico do seu carro que nos permite atingir os adversários quando estes se encontram próximos, além de lhes podermos dar murros. Esta é uma das principais mecânicas de Street Racer: para ganhar não basta correr melhor que os adversários, também é preciso saber atingi-los no momento certo, e ter cuidado uma vez que temos uma barra de vida que diminui quando somos atingidos. Ao longo das pistas podemos recuperar energia e obter turbos e o jogo incentiva-nos a explorar estas vias, já que no torneio clássico recebemos pontos extra por uma série de ações como a volta mais rápida ou acertarmos várias vezes nos adversários. Se não o levarmos demasiado a sério, as corridas funcionam bem (com variações, claro, entre os quatro jogos) mas é divertido, até um certo ponto. Os Street Racer foram feitos para experiências curtas, e não demora muito até se tornar repetitivo e entediante. Felizmente é possível determinar o número de voltas. No modo Rumble somos colocados numa arena ou numa pista circular com os outros sete adversários e ganhamos pontos por cada um que eliminarmos com os nossos ataques. Funciona bem, se não se prolongar por demasiado tempo. Finalmente no modo de futebol somos colocados num campo e há uma bola em jogo, temos então de apanhar a bola e levá-la até à baliza, tudo isto usando o nosso carro – se em teoria parece uma ideia com piada, na prática funciona mal e está aqui a mais. A jogabilidade é assim intensa, caótica, e obriga-nos a estar atentos. Mas a experiência depende bastante de qual dos quatro jogos estamos a falar.

Seria simplista reduzir os jogos aqui presentes ao mesmo, pelo que importa fazer algumas distinções relevantes. Os jogos para SNES e DOS são os que mais se destacam pela positiva, o que não é surpreendente devido à tecnologia Mode 7 do SNES capaz de criar efeitos pseudo 3D e rotações e a que apresenta os controlos mais fluidos, enquanto a versão DOS é a que apresenta o melhor ambiente visual, ou não fosse este um jogo feito em CD-ROM com todas as vantagens técnicas que isso traz em relação à geração anterior. A versão Mega Drive acaba por sofrer um pouco devido à falta da tecnologia presente no SNES, o que lhe dá um aspeto mais antiquado em movimento e torna a experiência mais pesada comparativamente à versão SNES. Já a versão Game Boy tem infelizmente muito pouco a seu favor. O ambiente visual exibe muito pouco pormenor (sem surpresas) e a jogabilidade é pouco intuitiva e muito pouco solta, o que resulta numa experiência penosa. Não foi a primeira conversão de um jogo de 16-bit para Game Boy a ter mais olhos que barriga, e é um bom exemplo de como alguns jogos não deviam ter feito a transição para a portátil original da Nintendo. Todos os jogos apresentam as mesmas oito personagens (sim, até a versão Game Boy), o que pode saber a pouco para quem não conheça a série e esteja à espera de mais variedade, mas nem todos apresentam as mesmas competições, já que a versão DOS não conta com o futebol, o que é pelo melhor já que é de longe o modo de jogo com a experiência mais negativa. Não se compreende a falta das versões 32-bit, já que Street Racer para PlayStation e Sega Saturn foi bem recebido pela crítica no seu tempo, mas a versão DOS aqui presente é razoável e apresenta a melhor estética a nível de cenários e pistas.

Posto isto, Street Racer Compilation faz coisas bem. Os fãs dos jogos originais têm aqui uma experiência muito próxima da que vivenciaram noutros tempos, e a quantidade de opções de personalização acaba por atenuar alguns dos aspetos negativos relacionados com a duração e aborrecimento que inevitavelmente se instalam depois de algum tempo à volta de Street Racer Collection. Além das opções que já vinham incluídas com cada jogo, a QUByte Interactive implementou ainda parâmetros adicionais e batotas para cada versão, e estes podem facilitar bastante a nossa vida (como turbos infinitos ou diminuir o tempo de espera para voltarmos a atacar, por exemplo). Sendo a QUByte uma produtora brasileira, é igualmente possível jogar em português do Brasil, embora esta opção se limite aos menus de Street Racer Collection, e não à emulação de cada um dos quatro jogos. Encontram-se também materiais relativos aos jogos, como imagens dos manuais de instruções e caixas, e algumas curiosidades sobre o seu desenvolvimento. Temos então elementos positivos, sobretudo para quem jogou os originais, e corridas que até certo ponto são divertidas, mas que acabam por perder a capacidade de atração para quem não seja fã da série.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
Street Racer Collection faz um bom trabalho de emulação de cada um dos quatro jogos e inclui opções suficientes de personalização para tornar a experiência mais palatável. Ao mesmo tempo, notam-se também as limitações da jogabilidade de cada título aqui presente, e não demora muito tempo até que esta coleção se torne em pouco mais do que uma curiosidade para os fãs de longa data desta série de jogos de corridas com um pouco de caos e combate à mistura.
Street Racer Collection faz um bom trabalho de emulação de cada um dos quatro jogos e inclui opções suficientes de personalização para tornar a experiência mais palatável. Ao mesmo tempo, notam-se também as limitações da jogabilidade de cada título aqui presente, e não demora muito tempo até que esta coleção se torne em pouco mais do que uma curiosidade para os fãs de longa data desta série de jogos de corridas com um pouco de caos e combate à mistura.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Boa emulação dos quatro jogos
  • Quantidade de opções e parâmetros adicionais
  • Divertido em sessões curtas...

Pontos negativos

  • ...mas aborrecido depois de algum tempo
  • Alguns jogos envelheceram mal e trazem muito pouco
  • Ausência das versões 32-bit

João Dias

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

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