Pokémon Legends: Z-A – Mega Dimension – Análise
Embora não agrade a todos, o anúncio de conteúdo adicional antes mesmo do lançamento de um jogo é hoje uma prática comum. Se outrora os DLC surgiam como ideias desenvolvidas a posteriori ou como forma de revitalizar títulos com vendas em queda, agora fazem parte integrante da estratégia inicial das produtoras. Mas se ninguém é obrigado a adquirir conteúdo adicional, no caso de Pokémon a lógica muda, já que o peso do colecionismo e a promessa de novas criaturas fazem de cada DLC uma tentação difícil de ignorar.

Pokémon Legends: Z-A – Mega Dimension introduz um enredo que dá continuidade direta à história do jogo principal, exigindo por isso a sua conclusão prévia para lhe dar início. Esta opção reforça a ideia de uma expansão narrativa, mas também deixa claro que estamos perante conteúdo pensado para quem já investiu bastante no jogo base. O enredo leva-nos de volta à cidade de Lumiose após um final que muitos jogadores acharam ter ficado deliberadamente em aberto. Mega Dimension aproveita esse vazio narrativo e constrói a sua premissa em torno de distorções espaciais que começam a afetar a cidade, introduzindo a Hyperspace Lumiose, uma dimensão alternativa que funciona como um espelho instável do espaço conhecido. Este novo plano não serve apenas de cenário, mas também de móbil para novos desafios e mudanças na jogabilidade. A introdução de Ansha, acompanhada pelo Pokémon mítico Hoopa, funciona como o principal motor do enredo, ligando diretamente os acontecimentos do DLC ao desfecho do jogo base. Hoopa assume um papel central, não apenas ao nível do enredo mas também na lógica da nova dimensão, servindo de base às distorções espaciais e às mecânicas que delas derivam. Essa ligação traduz-se em novas mecânicas de tempo e de gestão de recursos, como o Donut Crafting necessário para abrir portais e a alimentação de Hoopa, que influencia a duração da exploração e as capacidades dos Pokémon. Apesar de coerentes com o enredo, estas mecânicas acabam por tornar a progressão mais lenta e repetitiva.

A introdução de novas Mega Evoluções é o principal chamariz para os jogadores mais dedicados, e reforça a vertente do colecionismo e a construção de equipas. A isto soma-se o regresso de Korrina ao centro do enredo e uma maior exploração de um dos Pokémon mais populares, Lucario, que volta a assumir um papel de destaque, assim como a possibilidade de apanhar alguns Pokémon Lendários. A apanha de Mega Shards foi facilitada, mas acabou por trazer um novo problema, o limite máximo de 999 acaba por ser claramente insuficiente, e o valor é atingido rapidamente, muitas vezes sem que o jogador se aperceba de forma evidente. Felizmente esta limitação foi corrigida numa atualização posterior. O jogo passou a permitir a compra de várias Berries em simultâneo e aumentou o limite máximo de Mega Shards de 999 para 9 999, o que melhora de forma significativa a progressão e gestão de recursos. Adicionalmente, os jogadores que avançam na história do DLC passam a poder adquirir Berries, necessários para a Donut Crafting, tornando o fluxo de jogo mais funcional.

O maior problema deste DLC é que agrava um dos principais defeitos do jogo base. O jogo explora intensamente o espaço limitado que apresenta, tirando bom partido dos telhados para a exploração e incluindo algumas áreas subterrâneas. Há muito conteúdo para descobrir, desde Pokémon para apanhar a objetos que se encontram pela cidade e um número grande de missões secundárias. No entanto, a escala pequena do mapa acaba por tornar a exploração monótona a médio prazo, e o DLC pouco ou nada faz para contrariar esse sentimento. As versões distorcidas de Lumiose trazem alguma variedade visual, mas não resolvem o problema de fundo. Pelo contrário, acabam por reforçar a sensação de repetitividade, uma vez que se limitam a variações de espaços já conhecidos, tornando a exploração progressivamente menos inspirada e previsível. O aparecimento de Pokémon que ultrapassam o nível 100 (raro e praticamente inédito na série) aumenta a dificuldade da exploração, o que se revela necessário nesta fase do jogo onde a equipa do jogador já se encontra extremamente forte e organizada. Esta subida do desafio assenta bem numa experiência que, além do habitual foco no colecionismo, aposta de forma mais evidente no combate, exigindo maior atenção, preparação e domínio das mecânicas.
Outra crítica a apontar é o preço de Mega Dimension, desajustado face ao conteúdo que traz. Embora acrescente um número considerável de horas à experiência, grande parte desse tempo é passada em atos repetidos e em reciclagem de elementos já presentes no jogo base. Para quem se envolveu de forma profunda com o jogo ou pretende apenas ter novos Pokémon no seu elenco, o investimento pode dar um bom resultado. Já para um jogador que procure uma experiência mais simples, trata-se de um custo em que se deve pensar duas vezes.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Continuação direta do enredo e melhor enquadramento do final
- Novas Mega Evoluções
- Desafio reforçado para jogadores avançados
Pontos negativos
- Escala limitada do mapa continua a ser um problema
- Exploração torna-se repetitiva a médio prazo
- Mecânicas forçadas de Donut Crafting e gestão de tempo
- Preço desajustado

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

