AnálisesSwitch 2

Animal Crossing: New Horizons – Nintendo Switch 2 Edition – Análise

Animal Crossing: New Horizons chegou à Nintendo Switch em 2020 e foi um fenómeno global, sendo um dos jogos de maior sucesso na consola da Nintendo. O jogo volta a surgir, agora na Nintendo Switch 2, e numa edição mais completa e refinada, tirando partido do novo “hardware” sem perder a sua essência acolhedora. Desde o primeiro momento notam-se as melhorias técnicas: a ilha ganha uma nitidez visual inédita graças a uma resolução superior (até 4K num ecrã de televisão) e os tempos de carregamento são visivelmente mais curtos, eliminando boa parte da espera ao entrar em edifícios ou viajar para outras ilhas. O desempenho continua estável, embora com a fluidez limitada a 30 fps, uma escolha conservadora que pode desiludir quem esperava uma fluidez própria da Switch 2. Ainda assim, ver o sol a pôr-se no horizonte de New Horizons em alta definição, com cores vibrantes e pormenores aprimorados, dá uma nova vida aos cenários idílicos do jogo sem que nada se perca do ambiente calmo e encantador que o define.

A Switch 2 traz ainda funcionalidades próprias que adicionam camadas subtis à experiência. Graças ao microfone integrado da consola podemos usar um megafone virtual para chamar os habitantes pelo nome e encontrá-los mais facilmente. Uma pequena inovação inspirada em jogos anteriores da série que surpreende pela utilidade e apelo interativo de chamar pelos nossos vizinhos. Os novos Joy-Con trazem controlos de apontar semelhantes a um rato, o que torna a decoração de interiores e a criação de desenhos personalizados muito mais intuitiva; pendurar aquele quadro na parede ou reorganizar os móveis da sala é finalmente uma tarefa fluida e precisa, quase como se estivéssemos a arrastar objetos com a ponta dos dedos. Até o mural de avisos da praça recebeu atenção, agora é possível escrever mensagens à mão livre, dando um toque pessoal às notas deixadas para os amigos ou residentes. Estas adições não são uma revolução, mas mostram um cuidado em aproveitar as capacidades da Switch 2 para tornar a vida na ilha mais conveniente e envolvente. Por sua vez, a componente multijogador foi alargada. É agora possível reunir até doze jogadores numa sessão online, um aumento bem-vindo face ao limite anterior de oito visitantes. Organizar festas na praia ou competições de pesca com um grupo maior torna-se caótico de forma positiva, o que dá mais vida e alegria à ilha. Há até um novo modo chamado CameraPlay, que incentiva interações criativas com amigos através da câmara da consola, permitindo imortalizar momentos divertidos ou explorar perspetivas inéditas durante as visitas. É uma adição curiosa, quase um minijogo social, embora o seu uso prático dependa do entusiasmo dos jogadores.

Para além das melhorias técnicas, New Horizons na Switch 2 destaca-se pela quantidade de conteúdo novo que traz a uma experiência já de si rica. A novidade de maior destaque é, sem dúvida, o novo “resort” tropical gerido pela família de Kapp’n. Conhecido pelas suas viagens de barco, Kapp’n agora leva-nos a um arquipélago ensolarado onde a sua família abriu um hotel. O jogador encontra ali uma evasão permanente: podemos ajudar a decorar quartos de hotel para os visitantes em busca da casa de férias perfeita, uma mecânica que lembra a expansão Happy Home Paradise mas integrada no jogo base. Cada quarto decorado é uma oportunidade para soltar a criatividade. Escolher temas, combinar mobílias novas e clássicas com a recompensa adicional de ver personagens diferentes a desfrutar do espaço que criámos. Há também uma loja de lembranças no átrio do hotel, cheia de móveis exclusivos e roupas tropicais, o que incentiva visitas regulares em busca daquela peça especial para a nossa coleção. Esta estância confere uma dimensão extra à jogabilidade diária: quando a rotina na nossa ilha se tornar repetitiva, um salto de hidroavião até ao hotel traz variedade, novos desafios de decoração e um elenco rotativo de turistas prontos para surpreender.

Outra adição que vai deliciar os veteranos é o regresso do inconfundível Resetti. A toupeira que nos jogos anteriores nos ralhava por desligarmos sem gravar volta com um papel diferente. Aqui dirige o novo Reset Service, um serviço de remodelação que permite reorganizar a ilha com mais facilidade, algo que os fãs pediam há muito. Mudar edifícios de lugar, redesenhar caminhos ou até reformular áreas inteiras do terreno tornou-se menos penoso, Resetti e a sua equipa tratam de parte do “trabalho pesado”, simplificando processos que antes exigiam dezenas de idas ao menu de infraestrutura e dias de espera por construções. É um piscar de olho nostálgico mas também uma funcionalidade prática, reiniciar a disposição da nossa ilha para concretizar uma nova visão é agora mais rápido e intuitivo. Também no campo das melhorias práticas, o armazém doméstico recebeu uma expansão generosa. Quem atingiu o limite de armazenamento no jogo original sabe como era restritivo guardar milhares de itens acumulados ao longo dos meses. Pois bem, na Switch 2 o armazém foi ampliado para receber até nove mil objetos. E pela primeira vez podemos armazenar diretamente elementos naturais como árvores adultas, arbustos e flores, impossível na versão original. Isso significa que decorar e redesenhar a ilha implica muito menos sacrifícios.

As novidades não ficam por aqui. Para os subscritores do serviço Nintendo Switch Online, New Horizons na Switch 2 oferece acesso à Slumber Island. Trata-se de uma espécie de “mundo dos sonhos” alargado, onde podemos criar até três ilhas adicionais. É quase como receber três telas em branco para experimentar temas diferentes, sem comprometer o desenvolvimento da nossa ilha principal. E o melhor é que as ilhas de Slumber Island permitem cooperação online. Amigos podem juntar-se a nós para co-criar e explorar esses paraísos alternativos em tempo real. A sensação de colaboração traz um sabor distinto, como se tivéssemos um pequeno servidor privado de Animal Crossing para projetos conjuntos. A Slumber Island permite ainda convidar habitantes da nossa ilha original para estas novas ilhas, um pormenor adorável que dá vida a esses novos locais, como se levássemos os nossos vizinhos preferidos connosco de férias. É uma expansão substancial do conceito, direcionada aos mais dedicados que querem mais espaço criativo e à comunidade que gosta de partilhar e construir algo em conjunto. Tudo isto acompanha colaborações especiais e brindes nostálgicos: a atualização traz uma coleção de itens temáticos da Nintendo (como a Ultra Hand e antigas consolas Nintendo jogáveis dentro do jogo) e uma parceria inesperada com a LEGO, trazendo mobílias e decorações inspiradas na famosíssima marca. Para completar, quem tiver amiibos de Zelda, Splatoon e outras séries pode desbloquear conteúdo extra, desde trajes a mobiliário exclusivo, celebrando a cultura Nintendo dentro do universo de Animal Crossing. São toques cosméticos, mas contribuem para uma sensação de que este é o New Horizons mais abrangente até agora.

Com tantas novidades e ajustes, Animal Crossing: New Horizons na Switch 2 reafirma-se como uma experiência de qualidade, mas importa notar que não é uma revolução face ao original. Muitas das limitações estruturais do original ainda aqui estão, para o bem e para o mal. A natureza do jogo continua a ser a de um paraíso tranquilo e contido, o que significa que não vemos um salto ambicioso em inteligência artificial ou física do mundo. A escolha de manter os 30 fps mostra essa cautela, mesmo com o poder acrescido da nova consola, a prioridade foi manter a estabilidade e a resolução, não repensar a base técnica do jogo. Certas ações do quotidiano, como apanhar materiais ou gerir múltiplos diálogos semelhantes com os residentes, continuam a requerer paciência e poderiam beneficiar de atalhos ou de uma maior automatização, áreas em que a Nintendo optou por não mexer muito. Também o número de habitantes por ilha e a dimensão do território mantêm-se inalterados, conservando a jogabilidade numa escala familiar. Não há dúvida de que a essência que conquistou milhões de jogadores está intacta, mas isso significa igualmente que esta edição não arrisca sair da zona de conforto conhecida. A falta de ambição técnica em alguns pontos evidencia-se precisamente porque tudo o resto é bastante completo.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
No balanço final, Animal Crossing: New Horizons na Nintendo Switch 2 traz exatamente o que promete. É a versão definitiva de um jogo que já era muito bom, enriquecido por melhorias bem-vindas e novos conteúdos que prolongam o seu apelo. A transição para o novo "hardware" fez-se com cuidado e respeito, aprimorando a experiência sem a deturpar. O resultado é um refúgio virtual ainda mais apelativo, continua a ser uma delícia perdermo-nos na gestão do nosso cantinho paradisíaco. Cada sessão diária flui melhor, seja a fotografar a nova mobília LEGO na sala de estar, a chamar um vizinho distraído pelo microfone, ou a viajar com amigos para decorar um quarto com vista para o mar no hotel do Kapp’n. Por outro lado, quem esperava um salto transformador pode sentir que se aproxima mais de uma “Ultimate Edition” do que de um capítulo inteiramente novo. Destaca-se pela quantidade e refinamento, não pela surpresa ou inovação radical.
No balanço final, Animal Crossing: New Horizons na Nintendo Switch 2 traz exatamente o que promete. É a versão definitiva de um jogo que já era muito bom, enriquecido por melhorias bem-vindas e novos conteúdos que prolongam o seu apelo. A transição para o novo "hardware" fez-se com cuidado e respeito, aprimorando a experiência sem a deturpar. O resultado é um refúgio virtual ainda mais apelativo, continua a ser uma delícia perdermo-nos na gestão do nosso cantinho paradisíaco. Cada sessão diária flui melhor, seja a fotografar a nova mobília LEGO na sala de estar, a chamar um vizinho distraído pelo microfone, ou a viajar com amigos para decorar um quarto com vista para o mar no hotel do Kapp’n. Por outro lado, quem esperava um salto transformador pode sentir que se aproxima mais de uma “Ultimate Edition” do que de um capítulo inteiramente novo. Destaca-se pela quantidade e refinamento, não pela surpresa ou inovação radical.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Visual mais limpo e nítido, resolução superior e carregamentos mais rápidos
  • Bastante conteúdo novo, incluindo funcionalidades online alargadas
  • Ambiente, liberdade criativa e ciclo de jogo altamente cativantes

Pontos negativos

  • Fluidez continua limitada a 30 fps
  • Algumas tarefas rotineiras ainda são lentas e podiam ser mais intuitivas
  • Modo CameraPlay é curioso, mas pouco desenvolvido

Nuno Nêveda

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

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