Warhammer 40,000: Rogue Trader – Análise
Warhammer 40,000: Rogue Trader tenta adaptar para a Nintendo Switch 2 um RPG tático que bebe diretamente do universo negro e decadente de Warhammer 40,000. Assumimos o papel de um Rogue Trader, figura semi-autónoma do Império da Humanidade, livre para explorar, colonizar ou exterminar a seu gosto nos confins da galáxia. O enredo mergulha de cabeça na história da série, com conspirações imperiais, heresias encobertas e decisões morais ambíguas que moldam não só a campanha, mas também os destinos da tripulação que se junta à nossa causa. A premissa é rica em potencial, e há aqui momentos bem escritos e ambientes marcantes, ainda que a execução nem sempre esteja à altura da ambição. Se o universo fascina, o jogo mostra-se, por vezes, desequilibrado.

A nível de jogabilidade, Rogue Trader aposta num sistema de combate por turnos que faz lembrar clássicos do género e encaixa bem no universo 40,000. Controlar um esquadrão de até seis personagens em batalhas táticas traz uma boa dose de profundidade: cada membro da equipa tem um papel distinto, habilidades únicas e equipamento futurista, desde espadas motosserra e pistolas “bolter” até poderes psíquicos devastadores. Os confrontos são desafiantes e exigem um planeamento cuidadoso que recompensa o jogador por pensar estrategicamente, posicionar as unidades com inteligência e tirar partido do terreno e habilidades de forma coordenada. Fora do combate, há uma componente robusta de exploração e gestão em que o jogador comanda a sua nave, administra recursos e influencia planetas sob a sua jurisdição, lidando com sistemas como o Profit Factor (que representa a riqueza e influência do Rogue Trader) e as reputações junto de várias facções. Esta variedade de sistemas torna a experiência rica em conteúdo e longevidade, com uma campanha que facilmente atinge dezenas de horas de jogo. Contudo, esta complexidade também traz alguns entraves. Os menus de inventário, da personagem e de gestão são extensos e nem sempre intuitivos de navegar na Nintendo Switch 2 com um comando, exigindo paciência para lidar com uma interface claramente pensada para o PC. Por vezes, o ritmo torna-se arrastado devido a missões secundárias pouco inspiradas ou combates que vão além do necessário, o que testa a perseverança do jogador menos dedicado.

A adaptação de Warhammer 40,000: Rogue Trader para Nintendo Switch 2 deixa a desejar em várias frentes, apesar dos esforços no pós-lançamento para melhorar o jogo. A boa notícia é que esta versão recebeu atualizações que corrigiram as falhas iniciais mais visíveis: problemas críticos como bloqueios frequentes (incluindo um erro que podia encerrar o jogo durante a criação da personagem) foram resolvidos rapidamente, tornando a experiência mais estável do que nos primeiros dias. Além disso, foram implementadas melhorias específicas para a consola, como a inclusão de um cursor controlável pelo Joy-Con, o que ajuda a navegar nos menus complexos de forma mais prática. No entanto, muitos problemas mantêm-se. O desempenho geral continua aquém do ideal, nota-se que a fluidez raramente é estável, e por vezes cai abaixo dos 30 fps, tanto no ecrã da consola como numa televisão. Em cenas mais caóticas ou carregadas de efeitos, o jogo sofre quebras de fluidez visíveis, o que prejudica a ação e a imersão. Também os tempos de carregamento são bastante longos e frequentes, interrompendo o ritmo da aventura e lembrando o jogador a todo o momento das limitações técnicas desta versão.

Visualmente este Rogue Trader encontra-se aquém do esperado. Os cenários e modelos de personagens sofrem com uma resolução relativamente baixa, resultando em texturas pouco nítidas e um aspeto geral algo desfocado, especialmente no ecrã da consola. Embora num ecrã de televisão a imagem ganhe alguma clareza e apreciamos melhor a direção artística do universo Warhammer, com as suas naves góticas imponentes, planetas exóticos e criaturas alienígenas grotescas, o jogo acaba por não ser visualmente impressionante e nota-se que esta versão fica a perder. A interface de utilizador, bastante pesada e feita originalmente para PC, também não foi totalmente otimizada para o ecrã da Switch 2, e alguns textos continuam diminutos e certos menus são pouco práticos de navegar com o comando, apesar da ajuda do novo cursor. Todos estes aspetos, aliados aos problemas de desempenho já referidos, mostram que mesmo após as correções pós-lançamento terem mitigado as falhas mais graves, era preciso fazer mais para a experiência não ser afetada.
Apesar de todos os contratempos, Warhammer 40,000: Rogue Trader consegue trazer uma aventura extensa e com alguns momentos de diversão genuína, sobretudo para quem aprecia a temática e o género. Há conteúdo de sobra para explorar durante inúmeras horas (de 50 a 80 horas), entre a campanha principal recheada de missões e as tarefas opcionais, e o peso das decisões do jogador significa que vamos voltar a pegar no jogo para explorar percursos narrativos diferentes numa segunda tentativa. No entanto, a longevidade considerável tanto pode ser um trunfo como um fardo, pois a experiência prolongada acaba por expor ainda mais as falhas técnicas e de desenho, tornando a experiência algo frustrante em vez de envolvente.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Ambiente denso e condizente com a série
- Quantidade generosa de conteúdo e campanha longa
- Sistema de combate por turnos com potencial
Pontos negativos
- Falta de acessibilidade para quem não conhece Warhammer
- Interface pouco intuitiva e excesso de menus pesados
- Falhas técnicas, mesmo após atualizações

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

